quarta-feira, 22 de agosto de 2012

RELAÇÃO ENTRE:


O CULTO EUCARÍSTICO FORA DA MISSA
E A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
1. A celebração da Eucaristia é o centro de toda a vida cristã, tanto para a Igreja universal como para as comunidades locais da mesma Igreja. Com efeito, «os outros sacramentos, como todos os ministérios eclesiásticos e as obras de apostolado, estão ligados à santíssima Eucaristia e a ela se ordenam. Efectivamente, na santíssima Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, que é o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo, que, pela sua carne vivificada e vivificadora sob a acção do Espírito Santo, dá a vida aos homens, os quais são assim convidados e levados a oferecerem-se juntamente com Ele, a si mesmos, os seus trabalhos e toda a criação».1
1 Conc. Vat. II, Decr. Presbyterorum ordinis, n. 5.
10 PRELIMINARES GERAIS
2. Além disso, «a celebração da Eucaristia no sacrifício da Missa é verdadeiramente a origem e o fim do culto que à mesma Eucaristia se presta fora da Missa».2 De facto, Cristo nosso Senhor, que «é imolado no sacrifício da Missa quando começa a estar presente sacramentalmente como alimento espiritual dos fiéis sob as espécies do pão e do vinho», também, «depois de oferecido o sacrifício, enquanto se conserva a Eucaristia nas igrejas ou oratórios, é verdadeiro Emanuel, isto é, «Deus connosco». Com efeito, de dia e de noite Ele está no meio de nós e habita em nós «cheio de graça e de verdade».3
3. A ninguém, portanto, é permitido duvidar «que todos os cristãos devem prestar com veneração a este santíssimo Sacramento o culto de latria que é devido ao verdadeiro Deus, segundo o costume desde sempre recebido na Igreja Católica. Pois não deve ser menos adorado pelo facto de o Senhor Jesus Cristo o ter instituído com o fim de ser comido».4
4. P Para orientar e alimentar correctamente a piedade para com o santíssimo Sacramento da Eucaristia, deve considerar-se o mistério eucarístico em toda a sua plenitude, tanto na celebração da Missa como no culto das sagradas espécies, que se conservam depois da Missa para prolongar a graça do sacrifício.5


sábado, 11 de agosto de 2012

O Ministério do Comentarista na Celebração



Imagem da internet
Dentre os vários ministérios e serviços
exercidos pelos leigos na Liturgia, o ministério
do comentarista (ou comentador) é um dos mais
importantes, pois dele dependem, em grande
parte, o desenrolar, a dinâmica, a cara da
celebração.
A renovação litúrgica promovida pelo
Concílio Vaticano II tem como meta a
participação ativa, consciente e plena de todos
os fiéis. Neste ponto, o comentarista, pela
maneira que exerce o seu papel dentro da
celebração, tem uma grande contribuição a
oferecer.
O comentarista não é, como em muitas
situações se verifica, um mero leitor de folhetos.  Ele é o animador da comunidade celebrante. Animar muito mais que comentar, eis a sua missão. Se ele, a quem cabe exercer com zelo este papel, não o fizer, imagine o que poderá acontecer, que rumos tomará a celebração! O comentarista não deve agir como catedrático, o professor que ensina, e muito menos o ditador que domina e dá ordens. Ele é o servidor que, com
profundo espírito de gratuidade, convida, exorta, faz o elo de ligação entre aquele que preside e a ssembléia no seu todo.
Ele exerce também o papel de comunicador, criando com a Assembléia um clima de empatia, inserindo-a na profundidade do mistério celebrado. Naquele momento celebre na vida da comunidade, cabe-lhe comunicar, com entusiasmo, as coisas de Deus. Nos vários momentos e ritos, o comentarista propõe aos fiéis as diversas explicações e monições (convites), introduzindo-os  dentro do clima e da dinâmica da celebração. Desta forma, ele estará ajudando a Assembléia a celebrar melhor. Muitos interrogam: em que momentos o comentarista deve intervir? Não há uma determinação, uma regra rígida quanto a essa questão. Depende do  tipo de celebração, da realidade da comunidade. Por isso, o comentarista deve estar atento para que possa agir com equilíbrio. De um modo geral, o comentarista atua nos seguintes momentos: no início da celebração, antes das leituras bíblicas, no início da liturgia eucarística, antes da comunhão, antes da benção final e outros momentos, conforme as circunstâncias. Algumas características devem marcar estas intervenções como: simplicidade e discrição, naturalidade e transparência, brevidade, clareza e
objetividade.
A fim de ajudar todos aqueles e aquelas que, nas comunidades, exercem este importante ministério, aqui vão algumas dicas: Cuidado com os trajes e a postura física. É importante falar olhando para as  pessoas. Atenção aos possíveis ruídos na comunicação. Usar bem o microfone. Conduzir a Assembléia sempre pelo lado positivo. Não há necessidade de ler títulos (ex: primeira leitura, Evangelho, etc.). Não ler simplesmente (se for o caso) o que está no folheto, mas conversar com a Assembléia. Ter um bom entrosamento
com os demais membros da equipe. Impostar bem a voz. Fazer apenas aquilo que lhe compete na celebração. Não falar simplesmente por falar, mas dar sentido às palavras. Agir com autoridade (conhecimento) sem, contudo, ser autoritário. Saber ser servidor de um povo. Preparar-se bem para servir melhor. Expressar-se com emoção, sem cair no emocionalismo. Colocar-se em atitude orante, deixando-se conduzir pelo Espírito Santo.

Normas e Orientações para a Celebração do Mistério Eucarístico -


A Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário, publicada pela CNBB, é o texto oficial que contém todas as normas e orientações para a celebração do mistério eucarístico. As orações, leituras bíblicas, o Prefácio e as Orações Eucarísticas, os diversos ritos e funções de cada ministro, também a música e o canto litúrgico, assim como o espaço celebrativo, enfim tudo o que diz respeito aos elementos que fazem parte da Celebração Eucarística, a maneira como as comunidades cristãs celebram a Eucaristia, está ali contido. O Documento nos diz “como” e “porquê” celebramos, “o que” e “para que” celebramos. A finalidade é sempre favorecer a participação plena e frutuosa do povo de Deus na Eucaristia, porque é toda a comunidade que celebra o Mistério de Cristo.
Tais orientações, por sua vez, se baseiam no Missal Romano, usado na Igreja de rito romano, que a partir do Concílio Vaticano II promoveu profunda renovação litúrgica, reconhecendo que na Liturgia há uma parte imutável, de divina instituição, e outra flexível, que pode e deve mudar, adaptando-se aos tempos e locais, às diversas culturas e necessidades pastorais, para melhor se compreender e viver o mistério celebrado. A Instrução Geral é, de fato, o melhor Manual sobre o mistério eucarístico e o modo de celebrá-lo. Ela nos faz compreender a Missa em sua dimensão celebrativa do Mistério Pascal de Jesus Cristo e da Igreja, como memorial de ação de graças e como Ceia do Senhor. É uma riqueza, porque trata da Eucaristia em seu aspecto teológico, litúrgico, espiritual e pastoral, sendo um verdadeiro diretório teológico-pastoral. E é também garantia de unidade litúrgica, em meio a tanta diversidade de línguas e usos, costumes e tradições, povos e culturas.
São dois os livros principais que fazem parte do Missal Romano: o Missal ou Livro do altar, que contém as orações e os cantos que a comunidade dirige a Deus ao longo do ano litúrgico; o chamado “Ordinário da Missa”, as Orações Eucarísticas, enfim as normas para a correta celebração, além de possibilidades de mudanças e adaptações, sendo o livro principal da nossa celebração cristã. E o Lecionário, onde estão distribuídas e ordenadas as leituras bíblicas que se proclamam na Missa, em 4 volumes: o Lecionário dominical e festivo, que compreende as leituras dos três ciclos: A, B, e C, dos domingos e solenidades, para que sejam lidas “dentro de um período determinado de anos as partes mais importantes da Sagrada Escritura” (SC- Sacrosanctum Concilium, nr. 51); o Lecionário ferial, para os dias da semana; o Lecionário santoral, para as missas de santos; e o Lecionário para as missas votivas, rituais, quando na Missa se insere a celebração de algum sacramento ou rito (Batismo, Confirmação, profissão religiosa, exéquias, etc).
Entre as versões do Missal Romano, de grande auxílio, indispensáveis para as comunidades, citamos as três abaixo, que de certa forma se completam:
a) Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário – Brasília, Edições CNBB, 2008 – 2ª edição, 2009 – TEXTO OFICIAL;
b) Instrução Geral sobre o Missal Romano – Terceira Edição – Comentário de J. Aldazábal – Edições Paulinas – 2ª edição, São Paulo, 2009;
c) Instrução Geral sobre o Missal Romano – Apresentação de Frei Alberto Beckäuser, Editora Vozes – Petrópolis, 2004.
O Proêmio, espécie de Prefácio ao Missal da Igreja, consta de 15 importantes itens, dos quais citamos o primeiro, que justifica os demais: “Quando ia celebrar com seus discípulos a ceia pascal, onde instituiu o sacrifício do seu Corpo e Sangue, o Cristo Senhor mandou preparar uma sala ampla e mobiliada. (Lc 22,12). A Igreja sempre julgou dirigida a si esta ordem, estabelecendo como preparar as pessoas, os lugares, os ritos e os textos para a celebração da Santíssima Eucaristia. Assim, as normas atuais, prescritas segundo determinação do Concílio Vaticano II, e o Novo Missal, que a partir de agora será usado na Igreja de Rito romano para a celebração da Missa, são provas da solicitude da Igreja, manifestando sua fé e amor imutáveis para com o supremo mistério eucarístico, e testemunhando uma contínua e ininterrupta tradição, ainda que algumas novidades sejam introduzidas.”
Aldazábal chama a atenção para algumas atitudes ressaltadas na nova edição do Missal: a importância do silêncio, o respeito ao sagrado, a questão da beleza e “nobre simplicidade” na celebração, o equilíbrio e a moderação nos vários momentos celebrativos, a flexibilidade e adaptação, “contanto que tudo corresponda, devidamente, ao uso a que se destinam”.
Os presbíteros, diáconos, equipes de Liturgia e de Canto, e de modo geral os agentes de pastoral da comunidade, devem ter esses Documentos, conhecer, acolher, assimilar e colocar em prática tais orientações, pois, segundo Aldazábal, “o exterior, o modo de celebrar, expressa e alimenta nossa atitude interior de fé nos diversos momentos da celebração, e ajuda-nos a celebrar com espírito eclesial.”

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

CICLO DO NATAL



                                              



O CICLO DE NATAL

No horizonte, a Vinda final do Filho do Homem. No centro das atenções, o nascimento de Jesus, em Belém de Judá. A brilhar em cada celebração, a vinda mística do Cristo da nossa fé, que nos garantiu que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20). No dia a dia, a desafiar a vigilância da nossa fé, a vinda velada d’Aquele que cruza, a todo momento, nosso caminho, em meio a tudo quanto acontece, em cada pessoa, especialmente, no necessitado, no empobrecido, no excluído, “pois eu estava com fome, e me destes de comer” (Mt 25,35). O ciclo anual do NATAL começa pelo Tempo do advento, tempo de preparação dos caminhos do Reino; culmina na noite de natal e se desdobra por uma oitava de alegria pela vinda histórica do Messias e sua repercussão pelos séculos afora, através das celebrações-memoriais; e termina nas Festas da epifania e do batismo do Senhor, momentos privilegiados de sua manifestação. É, com certeza, um tempo forte de cultivo e fortalecimento da fé e da vida cristã. Do começo ao final, uma bem-aventurança de Jesus nos acompanha: felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! (Mt 5,6). Faz bem começar assim um ANO NOVO.

TEMPO DO ADVENTO

Toda celebração cristã tem uma dimensão de espera do Reino. A cada dia suplicamos na oração do Senhor: “Venha o teu reino!” E no coração da prece eucarística aclamamos: “Vem, Senhor Jesus”. Entretanto, o tempo do advento nos é dado a cada ano, como SACRAMENTO DA ESPERA. Os textos bíblicos e litúrgicos do ciclo do natal estão impregnados de imagens que falam das Promessas de Deus e da ansiosa expectativa do povo; da manifestação da sua VINDA no Verbo que se fez carne e da humilde adoração e reverente cooperação das Testemunhas que reconheceram os seus sinais.


E nós, neste tempo de agora, auxiliados pela reserva simbólica ofertada pela liturgia de cada dia, comungamos desta ansiosa esperança, unindo-nos aos anseios da própria criação, também ela e mais do que nunca, em dores de parto à espera de redenção (Rm 8). Somos guiados/as pela íntima certeza de que do tronco cortado sairá um broto; frágil, mas coroado pelo Espírito capaz de recriar o mundo a partir do seu próprio fracasso em busca da harmonia primordial (Is 11,1-10). É esta certeza-esperança que nos move a cantar esperando o natal: “Do tronco da vida, mesmo ferida, nasce uma flor rindo da dor” (Adolfo Temme). E assim preparamos com íntimo desejo ‘a festa das nossas núpcias’ (Leão Magno) abraçando nossas fragilidades já assumidas pelo Verbo manifestado em nossa carne e ainda por se manifestar plenamente.

Somos sujeitos de desejo, inacabados, sempre “em devir”, nós e a realidade social e cósmica da qual fazemos parte... A nossa espera será proporcional ao nosso DESEJO. Santo Agostinho já dizia: “o teu desejo é a tua oração”; Gandhi o confirma: “tornamo-nos aquilo que ansiamos, dai a necessidade de oração" ; e Teilhard Chardin: “O Senhor Jesus virá na medida em que saibamos esperá-lo ardentemente; há de ser um acúmulo de desejos que fará apressar o seu retorno". A oração do primeiro domingo pede “o ardente desejo do reino para acorrer com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem”. E pede que sejamos vigilantes:

a) A nós mesmos/as, para não confundir a sede mais profunda do coração (sede de amar e de ser amado/a) com o desejo de posse (de pessoas e de coisas); para dar nome aos nosso desejos desorientados...

b) Aos sinais da vinda do nos acontecimentos

c) No cuidado da ‘casa’, apressando “com as boas obras” (amor concreto e gratuito) a chegada do reino; prolongando na oração pessoal a escuta da Palavra (oração do coração), abrindo-nos à mediação do Verbo - “é ele que ama em nós” (Jean Yves Leloup).


Preparamos o natal celebrando o ADVENTO, o mistério da VINDA do nosso Salvador Jesus Cristo que “veio a primeira vez revestido de nossa fragilidade”, “virá no fim revestido de glória” (cf. prefácio I) e SEMPRE VEM, no tempo intermediário do nosso PRESENTE (homilia de São Bernardo, LH, I, p. 137 ). ELE VEM independente da nossa espera, mas justamente porque ele Vem, nos abrimos à sua presença no meio de nós: “agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino”. (Prefácio IA).

Atentos/as às palavras da liturgia e aos acontecimentos do cotidiano, nos colocamos na condição de comunidade-Esposa, vigilante à espera do Messias. Ele virá tão certo como a aurora. Então cantamos: “das alturas orvalhem os céus, e as nuvens que chovam justiça, que a terra se abra ao amor, e germine o Deus salvador”. O Verbo que nasceu de Maria, germinará da terra QUE SOMOS NÓS, como nos ensina a Eco-teologia a partir da nova cosmologia (somos parte indissociável do cosmos).

O Verbo é o fruto da mútua cooperação, da admirável troca, entre o céu e a terra, entre o Espírito e a matéria. Por isso nos unimos a toda a humanidade e a toda a criação, em oração suplicante: VEM!! É o grito do próprio ESPÍRITO que se une à Esposa para dizer:: “Maranatá, VEM, Senhor Jesus!” (1Cor 16,22 e Ap 22,20). Tendo esta tela de fundo, entremos com nossa atenção vigilante, na “alegre e piedosa espera” deste sagrado tempo da nossa esperança

FESTAS E TEMPO DO NATAL

O Natal não é apenas a celebração do aniversário de Jesus, é memória da nossa redenção. São Leão Magno um pai do século V, afirma que, com o nascimento de Jesus, “brilhou para nós o dia da nossa redenção”. Em Jesus Deus se aproximou do mundo, desposou a nossa humanidade, por isso, o mesmo Leão Magno refere-se às festas do natal como ao dia das nossas núpcias, em que se realizou o admirável intercâmbio entre o céu e a terra. Destacam-se o dia do natal com sua oitava, a epifania e o batismo do Senhor. No dia do natal, celebramos a humilde presença de Deus na terra, adoramos o Verbo que se fez carne e habitou entre nós. É a festa da Divina solidariedade. Na epifania, conhecida como festa dos reis magos, celebramos a sua manifestação a todos os povos do mundo. O Batismo de Jesus no Jordão é a sua manifestação, no início da sua missão. Ele, o Servo da simpatia do Pai, destinado a ser luz das nações. É importante resgatar a dimensão pascal do natal. O presépio, as encenações, os gestos e os cânticos do Natal e da epifania devem nos ajudar a celebrar a “passagem” solidária de Deus na pobreza da gruta, na manifestação Jesus aos povos, em Belém, e na manifestação a seu povo, no Jordão. Os ofícios de vigília, com o simbolismo da luz, retomam, de modo especial, o clarão da vigília pascal: lembram o nascimento e a manifestação do Senhor Jesus qual luz a iluminar os que andavam nas trevas. O Rito das aspersão, especialmente na festa do batismo, expressa o nosso mergulho na divindade do Cristo, do mesmo modo como ele mergulhou em nossa humanidade.

Ciclo Pascal




No ciclo da páscoa somos convidados a reviver a caminhada pascal do Senhor Jesus. A força do seu Espírito nos enche de alegria, para cantarmos a vitória enquanto ainda lutamos. O ciclo da páscoa engloba a quaresma, as festas pascais e o tempo pascal até pentecostes, inclusive.



TEMPO DA QUARESMA


Sentido
Na quaresma, lembramos os quarenta anos do povo de Deus no deserto e revivemos os quarenta dias de deserto que Jesus viveu, preparando-se para a sua missão. É tempo de nos consagrarmos mais à escuta da palavra de Deus, à oração e ao maior domínio de nós mesmos, para nos converter ao Cristo e ao seu reino. Deixando de lado tudo o que ficou para trás, dediquemo-nos à oração e, "na alegria do Espírito Santo, esperemos a santa páscoa" (Regra de São Bento).
Duração
O tempo da quaresma vai da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa pela manhã.
Principais celebrações
Quarta-feira de cinzas; 1º, 2º, 3º, 4º e 5º domingos da quaresma; domingo de ramos;
missa dos santos óleos; celebrações penitenciais; celebrações catecumenais; ofícios cotidianos, como meio de intensificar a oração.
Símbolos
A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter de penitência e conversão. O jejum (com cabeça perfumada) nos convida a dar mais atenção à palavra de Deus. A campanha da fraternidade pede para caracterizar o esforço comunitário de conversão por meio de um serviço bem concreto e de gestos de solidariedade.
O Hinário 2 da CNBB apresenta um bom repertório de músicas para o tempo da quaresma, além dos cantos da CF.
Lembretes
Retomar o que foi planejado no início do ano referente à quaresma.
Ao organizar as celebrações desse tempo, é importante considerar como está a vida do povo e da comunidade e aprofundar o sentido de celebrar a quaresma nesse contexto.
A cada ano, a campanha da fraternidade apresenta uma situação de vida que exige de nós conversão e solidariedade. Neste ano, convida-nos a aprofundar o tema “fraternidade e a água” e tomar consciência que se “a água é fonte de vida”, deve ser preservada. Como este apelo vai estar presente na liturgia, na oração, no trabalho missionário? Vai haver um gesto concreto da CF neste ano?
As celebrações penitenciais: Serão celebradas quando e com quem? Como serão preparadas?
Na 2a, 3a e 4a-feira da semana santa, costuma haver alguma programação especial? Esses dias poderão ser bem aproveitados com os que vão celebrar os sacramentos da iniciação, na vigília ou no domingo da ressurreição.






Tríduo pascal


Sentido
O tríduo pascal é a celebração maior para as comunidades cristãs. Na vitória de Jesus saboreamos a nossa própria vitória sobre as forças da morte que imperam neste mundo. Também nos animamos uns aos outros a assumir com garra e gosto a causa da vida, até que a páscoa definitiva, a libertação completa aconteça no reino de Deus.
Duração
O tríduo pascal tem início com a comemoração da última ceia do Senhor, na quinta-feira à noitinha, e termina com a celebração do domingo da ressurreição.
Símbolos
Cada celebração do tríduo tem suas próprias ações simbólicas e sugere uma atitude espiritual que culmina na grande alegria pascal: é a páscoa do Senhor, exultemos de alegria!
Para as músicas, o Hinário 2 da CNBB.
Lembretes
Para a quinta-feira santa:
Na missa do crisma os padres e, em algumas dioceses também as ministras e ministros leigos, renovam sua entrega a Cristo no serviço do reino. Quando e onde será a missa do crisma? Todos os servidores da comunidade estão convidados?
A celebração da ceia do Senhor marca o início das festas pascais. Pode ser vivida como um encontro mais íntimo e como momento especial de reconciliação entre os membros da comunidade. Haverá padre para presidir a eucaristia nesse dia? Então, como será?
E o lava-pés, o que a campanha da fraternidade sugere?
Haverá adoração eucarística? É bom lembrar que a noite mais importante do tríduo é a do sábado, por isso recomenda-se não prolongar a adoração na noite de quinta-feira e guardar as energias para esta grande vigília da páscoa do Senhor.
Para a sexta-feira santa:
A sexta-feira santa é a páscoa da cruz. Procuremos vivê-la no sentido de uma inserção mais profunda na religião e na sensibilidade popular. Exaltando o Senhor glorificado na cruz, cantamos sua vitória, na espera da ressurreição.
Como costuma ser celebrada a paixão do Senhor? O que fazer para aproximar a devoção popular e a liturgia, dando, porém, ao conjunto da celebração um conteúdo pascal?
Os símbolos são: o vermelho, a cruz, a procissão, as personagens do relato da paixão, a apresentação e a adoração da cruz, as grandes preces universais...
Para o sábado santo:
O sábado santo é dia do grande silêncio, para lembrar o tempo em que o Senhor esteve na sepultura. Passamos esse dia em clima de oração e expectativa...
Costuma haver alguma programação na comunidade? Haverá momentos de oração durante o dia? Pode ser programado um retiro para os que vão celebrar os sacramentos da iniciação. Há ritos catecumenais próprios para esse dia.
Para a vigília pascal:
A vigília pascal, “mãe de todas as vigílias da Igreja”, deve ser celebrada em comunhão com as pessoas que, no escuro da noite, buscam a ressurreição. É a celebração maior para as comunidades cristãs; desdobra-se na celebração do domingo da ressurreição.
Como será feita a vigília? Será na noite de sábado ou na madrugada do domingo? Haverá batismos?
Os símbolos são: o fogo, o círio, a água batismal, a ceia (pão e vinho), as flores, a alegria...
A cor para esta celebração é o branco ou o amarelo, mas poderíamos fazer outras tentativas, no sentido de buscar uma maior inculturação das cores na liturgia.


Tempo da páscoa

Sentido
"Este é o dia que o Senhor fez. Alegremo-nos e nele fiquemos felizes" (Salmo 118). A ação libertadora do Senhor acontece cada dia do ano e em toda a nossa vida, mas nós a celebramos com mais intensidade no tempo pascal. Cinqüenta dias celebrados como um grande domingo.
Duração
O tempo da páscoa vai do domingo da ressurreição até o domingo de pentecostes.
Principais celebrações
Todos os dias sejam celebrados com alegria, como se fosse um só dia de festa. A primeira semana da páscoa (oitava) é mais festiva. Nela contemplamos o despertar da fé e o testemunho que as discípulas e os discípulos deram do Ressuscitado. No sétimo domingo, celebra-se a ascensão do Senhor, e tem início a semana de oração pela unidade das Igrejas. No último dia, domingo de pentecostes, bendizemos ao Senhor pelo Espírito Santo, o dom maior da páscoa de Jesus.
Símbolos
A cor branca ou amarela é sinal de festa e de alegria. O círio, a grande vela acesa na vigília pascal, é imagem do Ressuscitado no meio de nós. O aleluia é o canto novo da vitória do Cristo e da comunidade dos filhos de Deus. A água batismal permanece nesse tempo como lembrança do nosso batismo. As flores ligam a páscoa com a natureza, sempre superando a hostilidade do tempo e as agressões que lhe são impostas...
O Hinário 2 da CNBB oferece ótimas sugestões de músicas para esse período.
Lembretes
Seria bom marcar uma avaliação da quaresma, do tríduo pascal, da campanha da fraternidade? Anotem as sugestões e observações para o próximo ano.
Vejam o que foi planejado para o tempo pascal e o que precisa ser melhorado.
Como manter o clima pascal durante todo esse tempo?
O tempo pascal cobre quase todo o mês de maio, dedicado, em algumas regiões, a Maria, mãe de Jesus. Como fazer de forma pascal a coroação e outras devoções marianas?
No mês de maio, festejamos as mães, e há muitos casamentos, não se esqueçam!
Lembrando que há pessoas que não vêm à noite, muitos elementos da vigília poderiam ser incorporados à celebração do domingo da ressurreição.

O Ano Litúrgico ( COMUM)


TEMPO COMUM DO ANO

O tempo comum começa no dia seguinte à festa do batismo do Senhor e vai até a terça-feira de carnaval, inclusive, interrompido pelo ciclo pascal. Recomeça na segunda-feira depois de pentecostes e termina no sábado anterior ao 1º domingo do advento.

Sentido

O domingo é a páscoa de cada semana, dia da reunião da comunidade para escutar a Palavra e fazer a Ceia em memória da morte e ressurreição de Jesus.

Os primeiros domingos do tempo comum são marcados por um clima de manifestação do Senhor, da sua missão no mundo e do chamado dos discípulos. A atitude destes domingos é sugerida pela voz do Espírito que desceu sobre Jesus nas águas do Jordão: “Tu és meu Filho querido, o meu predileto”! Contemplamos Jesus como o iniciador do reino.

Além do domingo, como festa semanal, celebram-se nesta primeira parte as festas da apresentação do Senhor e a festa da conversão do apóstolo Paulo.

Símbolos

O gesto simbólico que caracteriza o domingo como dia memorial da páscoa é sempre a reunião da comunidade em torno da Palavra e da santa ceia. O evangelho de cada celebração às vezes inspira um símbolo ou gesto simbólico que marca um determinado domingo. Para ressaltar a dimensão pascal do domingo, está previsto oração e aspersão da água (no lugar do ato penitencial). Há ainda as músicas que expressam o sentido de cada domingo.